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Pai nosso que estais de capacete

Missa celebrada de capacete na igreja de Campolide como protesto

Foi uma missa diferente aquela que ontem se celebrou na Igreja Paroquial de Santo António de Campolide. Como forma de protesto pelo estado de degradação a que o Governo deixou o imóvel chegar, o padre João Nogueira, os acólitos da paróquia e perto de centena e meia de fiéis assistiram à celebração eucarística de capacete na cabeça.

Os 120 capacetes encomendados pelo pároco não chegaram para todos os interessados, mas houve quem viesse precavido de casa, como uma família de cinco pessoas que levou consigo as protecções normalmente utilizadas para andar de bicicleta. À excepção de uma ou outra cabeça descoberta, da entrada da igreja classificada como imóvel de interesse público vislumbrava-se ontem uma mancha compacta de reluzentes capacetes brancos.

Esta foi a forma encontrada pelo padre João Nogueira para dar visibilidade à luta que vem travando já lá vão 12 anos. Em causa está não só a degradação do imóvel na Travessa de Estêvão Pinto, mas também o facto de o Ministério das Finanças recusar restituir gratuitamente ao Patriarcado de Lisboa a igreja que foi confiscada pelo Estado três dias depois da implantação da República.

“Há cem anos que este templo pede que se faça justiça e há cem anos que não é feita”, disse o prior de Campolide durante a sua homilia, na qual teceu fortes críticas à atitude do ministério de Teixeira dos Santos, que acusou de “hipocrisia”. “Achamos que o Estado que nos tutela, sendo uma pessoa de bem, não pode lucrar com um imóvel que roubou”, constatou João Nogueira.

Na homilia que proferiu equipado com um capacete idêntico aos dos trabalhadores da construção civil, o pároco lembrou o avançado estado de degradação em que se encontra a igreja, que, nas suas palavras, “está quase a cair”. “Não precisamos todos os domingos de capacetes na cabeça, mas se calhar estamos próximo”, admitiu com o pesar de quem ao olhar à volta vê andaimes enferrujados e outras estruturas improvisadas a sustentar tectos e paredes.

As palavras duras de João Nogueira, que não informou o cardeal patriarca de Lisboa desta iniciativa e estava ontem expectante para saber qual seria a reacção de D. José Policarpo, foram recebidas com entusiasmo pela audiência, que não resistiu a uma longa e sentida salva de palmas.

À saída, os fiéis sublinhavam a justeza do protesto. “Não compreendo como é que o Estado tem esta atitude mercantilista”, disse Raul de Azevedo, defendendo que o imóvel deve ser restituído à Igreja a custo zero. “É um bem do povo e devia ser dada mais assistência à sua conservação”, afirmou Mário Rodrigues, enquanto a sua esposa lamentava o desleixo do Governo, que “tem tantos prédios a cair e deixa a cidade feia”.

Fonte Publico Online